A Argentina aprovou por decisão política e sem um referendo popular o aborto como uma solução pacífica para suas grandes demandas reprimidas, encobertando as causas mais profundas de uma população cada vez mais empobrecida, mas orgulhosa de suas origens europeias e do tango saudoso dos tempos de Perón.

Sendo o quarto país aprovar o aborto atrás apenas de Cuba, Guiana e Uruguai, remete a uma questão explosiva dos políticos que sempre se esconderam do debate aberto, deixando apenas a mídia conduzir de acordo com seus interesses uma intervenção histórica para as próximas gerações. 

A maioria do sexo masculino não tem uma opinião formada sobre o aborto, considerando que a decisão sempre foi da mulher escolher a opção pela vida daquele ser que ela está gerando.

Na interpretação religiosa da antiguidade, o entendimento da sociedade patriarcal era que o filho seria propriedade do pai cabendo à mãe apenas gerar esta vida e a responsabilidade pela criação desta criança. 

A mulher desde os tempos bíblicos sempre se submeteu as leis e tradições como o lado mais fraco e a decisão compartilhada de ter filhos e decidir suas escolhas mudou a partir do advento da democracia que abrigou em suas constituições os direitos iguais soberanos como justiça social.

Mas agora, surge uma questão sem resposta para a religião que ainda influencia a maioria conservadora. 

Se um feto é considerado como vida, em que momento a alma entra neste corpo?

A lei aprovada permite a retirada até quatro meses. Esta questão teria que ser discutida não apenas com embasamento científico que atendeu  jovens mulheres ansiosas em retirar um corpo estranho em seus úteros sem culpa ou arrependimento amparado pelo Estado e com impostos pagos daqueles que são contra o aborto, mas também pelos valores judaico-cristãos que a humanidade tem ao longo de sua história.

Os antigos místicos acreditavam que a vida acabava com a última respiração e que em algum momento a primeira respiração que entra neste frágil ser é que traz a vida divina para esta criança. 

Se quatro meses dentro do útero pode matar aos olhos coniventes destes países que aprovaram a polêmica lei a favor do aborto, significa que também deveriam ter aprovado a pena de morte simultaneamente se livrando de assassinos que tiram covardemente a vida de inocentes cidadãos causando dor e sofrimento. 

Esta comparação é idêntica e não faz distinção do que é certo ou errado.

É possível que na vanguarda destes políticos novas leis no futuro sejam aprovadas como, por exemplo, eliminar idosos doentes que não servem mais para sociedade sem necessidade de um vírus como desculpa ou a eutanásia possa ser uma decisão do Estado por questões econômicas.

A morte se tornou descartável para estes descrentes que acreditam numa sociedade mais produtiva e moderna. 

E a democracia no final acabará servindo de pretexto para que estes políticos não tenham limites em suas ambições em busca de mais poder e controle total sobre a população. 

O aborto é apenas uma ponta de lança que está sendo colocado para novos conceitos que ainda não sabemos, mas que revisitarão em breve nestes novos tempos de incertezas. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *