Quando era jovem não percebia nas pessoas uma preocupação com o clima e suas consequências. 
No máximo, a conversa sem assunto era se iria chover ou se faria calor. Aquilo já era suficiente para quebrar a rotina gélida quando precisávamos conversar com alguém.

 
A importância de diagnosticar com antecedência se o tempo se manteria ou mudaria repentinamente é recente e tornou-se imperativo a partir do advento da tv invadindo nossas casas.


Se errassem na previsão do tempo, poucos se importariam, pois o poder da natureza era óbvio e quem ousaria reclamar do criador? 


No interior, os agricultores dependiam do clima para plantar suas colheitas e a informação era baseado na tradição antiga da mudança dos ventos e do comportamento dos animais. 


A natureza era testemunha que algo mudaria e bastava observar uma mudança repentina nas nuvens para ter certeza que haveria sol ou chuva. A boa cigarra que nos diga com seu canto desesperador anunciando um belo dia de sol.


Uma tradição da figura de um galo giratório com um eixo fixo apontado para o norte em cima das casas como determina a bússola, era suficiente para ter um diagnóstico preciso do próximo dia na mudança do tempo. 


No Brasil, todos já sabiam que no nordeste haveria seca prolongada e uma data para o início das chuvas. No norte, o ciclo das chuvas com calor úmido insuportável.

Centro, muito calor desértico abafado e pouca umidade. Sudeste, as chuvas de verão causando alagamentos nos grandes centros e no sul, o frio seco característico da região com geadas imitando a Europa.


Hoje, temos uma tecnologia de ponta com antenas, satélites e computadores de última geração precisos que conseguem na maioria das vezes dar um diagnóstico com mais de uma semana de antecedência e esta sofisticação dos meteorologistas de plantão são enganados pela irreverência do clima que alerta que na natureza quem manda é o imponderável. 


Os meteorologistas nunca dormem e como serviço de utilidade pública impôs uma rotina obsessiva que sem esta informação diária poderemos ser pegos de surpresa por uma catástrofe não anunciada como nos filmes de impacto  que preveem o fim de nossas cidades. 


Esta neurose coletiva que aumenta com a idade é acompanhada com a vigília do relógio e a certeza que o tempo amanhã será mais um desafio e teste de paciência.


E como tal, o relógio é a ferramenta que antecipa nossa compreensão ilusória de que a natureza poderá ser um dia refém de nossa vontade sem noticiar nossas intensões. 


Nossas fraquezas nos impedem de ter certezas e nossas certezas é de que uma catástrofe anunciada poderá ser num dia de chuva. 


O tempo impiedoso e sem trégua anunciará um dia o nosso fim derradeiro como um ultimato inesperado de que o clima de amanhã não terá mais importância. 


Esta, sim, será uma previsão certeira de nossa existência. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *