Você já mentiu?

Quem não mentiu por conveniência ou distração?

A mentira está enraizada em nossa cultura como um fenômeno fácil de digerir e de ser aceitável.
Em outras culturas mentir é um problema muito sério e quebra de confiança. É intolerável conviver com um mentiroso. 

Somos verdadeiramente um povo que perdoa a mentira, como se perdoa um pecado original ou traição.

Aliás, a mentira é a mãe da traição.

Ela se conecta de modo rápido e indolor, porque uma depende visceralmente da outra. Elas se sustentam e se apoiam nas próprias narrativas e construções de inverdades que acabam se utilizando do tempo para serem reconhecidas como uma verdade incontestável. 

A mentira transcende a nossa memória e engana nossa mente alterando níveis de consciência para que a lembrança seja aquela última enfatizada com retóricas e sentimentalismo que só Freud explica. 

É fácil corromper nossa mente quando a realidade mostra uma face com barreiras difíceis de transpor. 

O tolo reage inerte a esta inflexão como um saco vazio e aceita fácil sem argumentar sua razão, às vezes desconfiada, não reagindo à estupidez de ser enganado.

O idiota não reage a fala hipnótica do mentiroso astuto que repete sempre o mesmo bordão, inventando metáforas e estatísticas como um mágico que tira um coelho da cartola.

O fanático se ajoelha como um pobre servil esperando uma nova mentira para alimentar seu cérebro oco de ideias e argumentos.

Este combustível que alimenta o mesmo discurso soa como um mantra aos ouvidos do fanático e é encontrado nos melhores partidos políticos disponíveis no mercado. 

O analfabeto funcional circula entre o idiota e o fanático. Repete inerte o discurso orgulhoso de seu conhecimento limitado preparado cuidadosamente pelo seu mestre.

Não aceita conversar com quem não tem a mesma opinião e acredita que os fins justificam os meios.

É consumidor voraz de mídias sociais e sua única verdade está no Google que é a fonte de inspiração.

O louco não acredita em mentiras, pois sua mente bloqueada é incapaz de separar o que é certo ou errado, da fantasia ao real e da lucidez ao delírio.

O  bêbado perde a noção da realidade e fantasia suas mentiras misturando ficção com as verdades que acredita. Não tem noção de tempo e espaço e cai num abismo que ele mesmo construiu.

O drogado não tem tempo para inventar mentiras e a verdade é surda e cega. 

Os ricos constroem suas mentiras para impor a verdade do vil metal.

O pobre desconhece os limites do que é verdade ou mentira e não acredita pela dura realidade que vive se existe justiça. 

E finalmente, o cidadão comum que busca todos os dias no trabalho a sobrevivência, não está interessado no que é verdade ou mentira, porque isto não mudará nada em sua vida que tem um destino escrito no tempo. 

Nem as escrituras salvam os mentirosos…

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