Eu tinha feito isto há algum tempo, não me lembrava mais e depois me surpreendi com os resultados.
O problema sempre é o nosso cérebro que é um estranho íntimo que desconhecemos.
Aquele inimigo oculto que fingimos não conhecer e que nos sabota todo tempo para agir no automático e com preguiça não mudar por insistência por que dá trabalho.
Afinal? Mudar pra que? Pra que mudar se perdermos tempo e pode não dar certo.
Explico isto de uma forma racional.
Não me lembro há algum tempo de não acordar sem dores ou aquela sensação de que é bom sentir livre e de se livrar de uma culpa de não ter feito nada.
Mas hoje, não reclamei silenciosamente, apenas resmungando porque poderei aos ouvidos indiscretos parecer sensível demais e um covarde.
Afinal, dizia meu pai, homem não chora!
Reclamar pra que?
Remédios não são alimentos e deixam sempre uma sensação de vazio em nossa mente como fôssemos cúmplices de alguma doença.
Drogas são aquelas que viciam inclusive o tal do café e sua substância cafeína, viciante e inocente que a médio prazo desperta em nosso organismo doenças como o câncer que assombra nossas noites como um terrível filme de terror.
Mas voltando a vaca fria saudável, a farinha branca considerada a rainha dos alimentos que traz o pão todos os dias, alimento democrático ao alcance de todas as classes sociais, invejada pelo políticos e com uma versatilidade enorme de levar ao paraíso com doces e recheios, torna-se uma inimiga poderosa da saúde física quando se junta ao cérebro para nos trair como um alimento saudável e saboroso.
O pão não merece este rótulo, mas o nosso cérebro em campanha frenética esconde de nós que este sagrado alimento ajuda entupir os vasos sanguíneos aumentando o colesterol e triglicerídeos.
O pão acumula gorduras e enche de energia excessiva com carboidratos deixando nossas cinturas igual há um pilão.
Depois, as mulheres acusam entre si este estrago e culpam a tal cereja do bolo daquele aniversário esquecido.
O bolo é uma ótima desculpa para o ócio, pois a farinha tira a disposição física junto com o falso açúcar que vigia nosso cérebro, ainda mais para fingir que o nosso mundo pode ser visto com uma lente cor de rosa com tantas recompensas.
Nosso cérebro é um viciado em drogas inúteis se comportando como um grande amigo e raciocina irresponsavelmente sem o nosso consentimento de controlar o resto do corpo.
Hoje, acordei sem dores em nenhum lugar deste pobre corpo em ritmo de fim de festa.
Não fiz as minhas orações silenciosas que faço ao se deitar e ao se levantar.
Hoje, pela enésima vez o Criador me mostrou que nosso cérebro é o responsável por boa parte de nossas doenças, assim como Joaquim José dos Reis, aquele conspirador ousou trair Tiradentes.
Estou há 4 dias sem comer aquele pão nosso de cada dia e como meu sangue está se livrando aos poucos das impurezas que a farinha de trigo sabota nosso organismo, estas mudanças deixa o cérebro mal humorado e o corpo com aquela sensação que pode ser feliz sem culpa.
Este ano esqueci de comprar o pão ázimo, o pão simbólico da passagem e sem a farinha de trigo usei criatividade para deixar o pão esquecido em algum lugar distante do meu cérebro.
Hoje, acordei sem nenhuma dor no corpo e como tal não precisarei sucumbir a esta tortura física as juntas dos dedos das mãos ou nas costas como se tivesse carregando todo fardo do mundo e que deixei para trás minha ingenuidade da infância perdida ou as dores do pobre joelho que carrega este corpo pesado na velhice que estou tentando descobrir como escapar para atravessar o outro lado incólume e ciente de que deixei algum legado para alguém.
Hoje, estou aqui perto de casa cumprindo meu dever de ir ao médico de olhos para não perder de vista a saudade daqueles que se foram.
Hoje, lembre que é dia de Tiradentes que foi traído pelo seu inimigo oculto e não devo esquecer desta data simbólica sobre confiança.
Hoje enfim, senti em algum momento o que é ser livre…
21 de Abril de 2025
Sérgio Sobreira