É assim que a grande mídia tradicional e internet tratam os usuários, clientes, consumidores, telespectadores, eleitores, contribuintes ou cidadãos que são pescados como uma competição livre para serem degustados.

Um dos meus filmes favoritos é sobre jornalismo investigativo que ocorre quando um presidente dos EUA espiona o partido adversário que acabou resultando no pedido de demissão na Casa Branca.

Num passado não muito distante, os jornais impressos tradicionais no Brasil tinham grande respeitabilidade e credibilidade.  A notícia escrita no papel era o fato apurado na versão de quem foi coletar a informação, mesmo que estivesse completa ou apenas o relato parcial.

Havia como sempre os destaques de primeira página mais importante como chamativo para o leitor comprar o jornal e estimular para que dentro daquelas dezenas de páginas a “pepita de ouro” escondida no canto da página fosse a melhor informação que nas entrelinhas revelasse a notícia relevante para nosso crescimento intelectual.

No domingo, liamos por horas a fio aqueles pesados jornais com notícias bem estruturadas e cadernos divididos por temas para nos entreter até com charges inteligentes sem sermos manipulados ou usados como instrumento de algum jornalista maniqueísta que hoje segue o que o dono do jornal determina na política e interesses da empresa.

No final, tínhamos a sensação do dever cumprido e que havíamos acrescentado algo novo no nosso conhecimento que serviria de base para as conversas informais na semana sem nos preocuparmos se a opinião era boa ou não.

Tínhamos ciência dos fatos o que estava ali escrito e como tal, acostumados a uma educação onde a leitura era imperativa na escola desde o início da alfabetização, pois nas entrelinhas os fatos se revelavam de forma inteligente.
Entender o que estava escrito era uma condição crítica e necessária para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso.

Hoje, vemos as grandes mídias tradicionais impávidas em disputar a preferência do leitor sem nenhuma responsabilidade com a informação. Somos descaradamente desrespeitados e apropriados de acordo com a política do jornal e audiência.

O leitor ingênuo acaba consumindo a grande rede por falta de opção na busca frenética da verdade e caindo nas armadilhas de um mar de informações desencontradas e repetidas nesta areia movediça, sem se importar o que é falso ou verdadeiro. 

Notícia boa é aquela que não deve ser publicada, o resto é propaganda para a empresa ganhar dinheiro. 

O verdadeiro espírito libertador de um veículo de informação é tradicional e investigativo e o profissional que apura os fatos não deve ter opinião pessoal sobre qualquer assunto para não contaminar a notícia e deixar que o leitor discuta o que leu em casa com a família, no trabalho ou na escola com ampla liberdade de escolha. 

Que o debate seja discutido com os fatos apurados e não especialistas em generalidades ou testas de ferro de partidos políticos que contam inverdades como se fossem donos da informação e os leitores apenas marionetes pronto para consumir produtos e serviços. 

A imprensa são os olhos e ouvidos da democracia e a democracia está acéfala num saco vazio sem fundo servindo de interesses dos políticos e grandes corporações. 

É preciso mudar o modo de fazer jornal e voltarmos a ler aquilo o que realmente acontece como informação e notícia, para voltarmos a ser cidadãos de fato e não tratados como analfabetos funcionais de direito. 

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